Os desafios de produzir sem agrotóxicos

Criada em 2018, Morada Produtos Naturais vende morangos e também itens de confeitaria

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No ano de 2015, o casal Gisele dos Santos e Moisés Nunes decidiu sair da parte urbana de Candelária e ir para o interior. Com isso, compraram um sítio na localidade da Vila Fátima. Mais do que mudar de endereço, eles queriam uma vida com mais qualidade. Por isso decidiram investir no cultivo de morangos sem uso de agrotóxico. “Essa foi uma preocupação nossa desde o início porque não queríamos perder saúde, mas sim qualidade de vida morando e trabalhando no interior”, destaca Gisele.

Sem nenhuma experiência na fruticultura, mas muita vontade, a esposa, ex-auxiliar administrativa, e o marido que se divide entre a agricultura e a advocacia, resolveram buscar cursos e capacitações para realizar o seu sonho. Atualmente, a propriedade de 12 hectares possui entre 5 a 7 mil pés de morango das, a depender da época do ano. As variedades são Albion e Camarosa.

A iniciativa cresceu e começou a envolver a confeitaria como bolo, pães, biscoitos, cookies, muffins, geleias, entre outros sem uso de conservantes. Com isso, os dois decidiram que era hora de profissionalizar o negócio. Assim nasceu a Morada Produtos Naturais, em maio de 2018. Nesta época de verão, os morangos são campeões absolutos de preferência dos clientes. Quando a temperatura esfria, o cardápio da confeitaria ganha espaço.

Moisés e Gisele iniciaram em 2015 a produção de morangos sem agrotóxicos. Desde então, têm diversificado a produção

O processo de produção de alimentos naturais

Um dos desafios de produzir sem agrotóxico é a produtividade, principalmente por conta do controle de pragas e doenças agrícolas que utilizam soluções biológicas, como predadores dos insetos que afetam o morango e misturas caseiras como leite cru e água no pulverizador para afastar fungos e alho com pimenta para afugentar insetos, além de adesivos coloridos. “Não é apenas uma coisa que fazemos para produzir sem agrotóxicos, empregamos vários métodos. A cada problema que surge temos que procurar uma solução biológica para ele”, destaca o produtor.

Mesmo assim, as soluções não apresentam a mesma eficácia. Segundo ele, enquanto um pé de morango cultivado de forma convencional é em média de um quilo, no seu pomar é apenas a metade. Além de menor produtividade, os métodos alternativos elevam o custo de produção. Um exemplo são os predadores dos insetos, que ainda são difíceis de encontrar no estado e por isso são comprados em São Paulo.

O uso de iscas coloridas para atrair insetos é uma das soluções biológicas utilizadas pelo casal

Apesar dos obstáculos, a satisfação de oferecer um produto natural, sem risco de prejudicar a saúde dos clientes e também de seus filhos Cecília (4) e Théo (7 meses), motiva o casal a seguir em frente. “Compensa mais pela satisfação pessoal do que pelo aspecto financeiro. Mas com certeza não estaríamos tão felizes se fizéssemos o plantio convencional”, conta Gisele.

FUTURO- Na propriedade já é possível ver alguns novos pés que em breve devem entrar na lista de produtos comercializados como nozes e mirtilo, uma cultura rara de ser encontrada na região. Outras frutas planejadas pelo casal são amora e pitaia. Outra atividade que também está nos planos é abrir a propriedade para a realização do turismo rural, onde os visitantes podem aproveitar a tranquilidade e a beleza do campo para reunir a família e até mesmo realizar a colheita de suas próprias frutas.

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