Mesmo com a valorização, área cultivada de milho caiu em Candelária

Alta dos insumos fez com que produtores candelarienses diminuíssem a produção para comercialização e se voltassem para a subsistência

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O agricultor Rui Knak irá reduzir em três hectares a sua produção de milho para essa safra

De acordo com dados da Emater de Candelária, a intenção de plantio de milho no município caiu de 5.160 hectares na safra 20/21 para 5.130 hectares na safra 21/22. Deste montante, 12% já foram plantados. A maior parte do plantio se dá após a finalização da colheita de tabaco e mais tarde durante a safra. A estimativa inicial é de que a produtividade atinja os 4,8 mil kg/hectare, o mesmo da safra passada.

A maior parte do milho cultivado no município se destina à própria residência, para a alimentação dos animais. Este é o caso do agricultor Rui Knak, que mora na localidade da Linha do Rio,onde cultiva atualmente 1,5 hectare do cereal. Entre os pés já é possível ver uma ou outra espiga com a famosa “boneca” – ponto em que a espiga começa a soltar a palha. Ainda nesta safra, ele plantará mais dois hectares, uma redução em comparação com a safra anterior, onde plantou cinco hectares na mesma área.

VILÃO – O motivo da redução é uma dificuldade que tem afligido todas as culturas: o alto valor dos insumos.  Mesmo que o valor da saca de milho tenha aumentado mais de 75% da safra anterior para essa, ainda não é o suficiente para fazer frente ao aumento de itens como ureia, adubo e fertilizantes. “Durante a safra anterior a saca custava R$ 45, agora é vendida a R$ 85. O problema é que os insumos triplicaram, então nem com isso o cultivo do milho compensa. Com o custo de produção atual, o saco de milho deveria custar R$150”, afirma o produtor.

Por conta disso, Knak deixou de produzir para comercializar e manteve apenas o necessário para a subsistência dos animais de sua propriedade. Com isso, a área de cinco hectares destinada ao plantio tardio, terá apenas dois hectares cultivados.

Este ano, o plantio em sua propriedade iniciou mais cedo do que o habitual. O milhocultor geralmente plantava o cereal na parte tarde da safra.  No entanto, a sua produção foi prejudicada pela cigarrinha do milho. “A cigarrinha tombava os pés e não havia o que fazer, pois não tinham defensivos específicos para ela. Foi como o coronavírus no início da pandemia”, descreve. Por isso, optou por fazer o cultivo no início da safra, na terceira semana de setembro, para tentar evitar a peste agrícola.

Se o clima permitir, o milhocultor deve manter sua produtividade média de aproximadamente 5,7 mil kg/hectare. Com o aumento dos insumos, manter a produtividade é um desafio. Mesmo assim, o produtor manteve o mesmo nível de investimento no cultivo, pois segundo ele, o  pequeno produtor não tem outra opção, a não ser investir na produtividade.

SAIBA MAIS- A Emater estima que Candelária possua cerca de 2.730 produtores de milho. Ao considerar área de 5.130 hectares destinada ao cultivo de milho no município, cada produtor cultiva em média de 1,87 hectare por propriedade. O motivo da área média ser baixa é pelo fato de que a maior parte da produção é destinada à subsistência das propriedades e não para a comercialização.

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