Área plantada do trigo no município dobrou em 2021

Cultura tem crescido de forma considerável nos últimos anos na região por conta da valorização na comercialização e sua versatilidade

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O cultivo de trigo, embora não seja ainda muito tradicional em Candelária, tem ganho cada vez mais espaço entre os produtores nos últimos anos. Segundo a Coagrisol, cooperativa que recebe parte considerável da produção do município, a safra de 2020 teve uma área total plantada de 350 hectares da cultura, com uma produção bruta de 17,5 mil sacas que movimentou mais de R$ 1,7 milhão. Para este ano, os números dobraram. Foram cultivados 700 hectares e 85% de toda a produção colhida, a previsão é de que sejam comercializadas 35 mil sacas e que os valores movimentados girem na casa dos R$ 3,3 milhões.

Segundo Elias Brands, técnico agrícola da Coagrisol, esse aumento expressivo na última safra se deve ao fato da boa produtividade e retorno financeiro que o plantio de trigo – incentivado pela cooperativa – gerou aos produtores em 2020. “Pelo histórico de produtividade em anos anteriores, o trigo não era uma cultura viável no município. A partir da chegada da Coagrisol, começamos a incentivar o trabalho com essa cultura e houve um aumento crescente na área plantada durante os últimos anos, inclusive dobrando durante as duas últimas safras”, detalha Brands.

Ele explica que além da boa produtividade e o preço atrativo de comercialização, o trigo é uma forma de preparar a terra e obter um retorno financeiro com isso. Por ser uma planta de inverno, ele oferece a possibilidade de rotação de culturas entre com sementes de verão e até facilita esse processo por meio da palha deixada após a sua colheita, que beneficia principalmente o plantio de soja. “No inverno se não for plantado trigo, ainda é preciso fazer um manejo da terra para controlar a erva daninha e isso gera custos. O trigo é uma forma de fazer esse manejo e gerar uma receita”. O técnico avalia que a produção transcorreu dentro do esperado. Embora as condições climáticas no início do plantio tenham gerado otimismo sobre um possível aumento na produtividade, o próprio clima chuvoso atrapalhou essas projeções, de modo que os números são similares a safra anterior, com uma produtividade média de 50 sacas por hectare.

O que mudou foi que para o período de 2021, o custo de produção ficou maior, o que reduziu um pouco os ganhos. No entanto, a cultura manteve-se financeiramente viável para esse ano. “A próxima a safra terá um aumento expressivo no preço dos insumos. Com o preço atual do trigo, seria preciso colher 49 sacas por hectare para pagar o custo de produção. Por isso, a expectativa é que depois de anos de crescimento, a área plantada diminua”, projeta

Uma aposta que deu certo

O produtor Odilo Bernardy, 64 anos, conta que começou a plantar trigo nas últimas duas safras, como uma forma de preparar a terra para o cultivo de soja e conseguir uma receita extra. Ele iniciou cultivando 200 hectares na sua área que fica parte na localidade do Bom Retiro, interior de Candelária e parte no município de Rio Pardo.

Como a experiência gerou boa produtividade, além de deixar uma boa receita, para essa safra, o produtor decidiu dobrar a área plantada do grão para 400 hectares. “Sentimos que poderia ser mais uma receita porque tínhamos só a colheita da soja, então a terra ficava vaga no período do inverno. Além disso, a palhada serve para uma boa cobertura e deixa a terra bem preparada para o plantio de verão”, explica.

O plantio na sua propriedade ocorreu no dia 25 de maio e se estendeu até o dia 10 de junho. Com uso de variedades precoces (Audax e Astra), a colheita iniciou no dia 23 de outubro e foi concluída no Dia de Finados. Apesar de ter enfrentado a giberela – doença no trigo ocasionada pelo excesso de chuva – e que causou quebra em alguns pés, a produtividade da propriedade foi de 60 sacas por hectare, acima da média do município. “Foi uma boa safra. Conseguimos fazer essa lavoura com um custo menor do que os insumos atuais e ela rendeu uma boa margem de lucro por hectare”, avalia o produtor.

Com toda a sua produção vendida, Bernardy já começa a projetar os custos da próxima safra, sempre carregando consigo a calculadora para ver o quanto investirá no trigo para a próxima safra. “Não trabalhamos apenas por gostar, sempre é preciso calcular o custo de produção e projetar o retorno financeiro para ver se vale a pena investir no trigo. Se os custos forem similares aos da última safra, manteremos a área”, conclui.

POR QUE A PLANTAÇÃO DE TRIGO DOBROU EM APENAS UM ANO?

>>> Durante a safra 2020, o trigo apresentou bom potencial produ[1]tivo e valor de comercialização.

>>>Por ser uma cultura de inverno, o trigo pode ser uma alternativa de rotação de cultura. Além disso, a palha deixada após a colheita, ajuda a preparar o solo para a cultura de verão. A soja é o cultivo mais beneficiado.

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