Olhe para o passado e siga em frente

Texto publicado no Jornal de Candelária do dia 17 de julho de 2020

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Há cerca de uma semana recebi um vídeo curtinho, daqueles que faz a gente coçar a cabeça e “voltar a fita”, para ouvir novamente. É bem possível que você já tenha ouvido, ou lido, este texto. Mas, sempre penso que textos que me fazem coçar a cabeça, merecem ser compartilhados. O texto, de autoria desconhecida (se alguém descobrir o autor, me avise!), propõe que imaginemos, só por um momento, que tivéssemos nascido no apagar das luzes do século dezenove.

Se tivéssemos nascido no ano de 1900, a Primeira Guerra Mundial começaria junto com a nossa adolescência. Viveríamos os melhores anos da adolescência durante o período da guerra, que só terminaria quando já estivéssemos com 18 anos, deixando para o mundo um saldo de 22 milhões de mortos.

No mesmo ano, a Gripe Espanhola se espalharia pelo mundo, por conta da movimentação das tropas no período da guerra e o mundo viveria o horror de uma pandemia, que mataria cerca de 50 milhões de pessoas. Após passar por uma guerra e uma pandemia, aos 29 anos de idade, a vida lhe desafiaria novamente, mas você sobreviveria a uma crise econômica mundial, iniciada com o desmoronamento da Bolsa de Nova York, que causaria inflação, desemprego e fome.

Chegando aos 33 anos de idade, você veria os nazistas tomarem o poder. E, aos 39 anos, veria começar a Segunda Guerra Mundial, que terminaria apenas quando você já tivesse 45 anos de idade, deixando um saldo ainda maior de mortos. 70 milhões de vidas seriam perdidas apenas na Segunda Guerra Mundial.

Aos 52 anos, depois de ter vivido, ainda que de longe, duas guerras, uma pandemia e uma crise econômica mundial, outra guerra se iniciaria na Coreia.

Aos 64 anos, mais uma guerra, agora no Vietnã. Esta última só terminará quando você já tiver chegado aos 75 anos de idade. Escrevendo deste modo, parece que tudo isso é uma metáfora, uma brincadeira de imaginação. No entanto, esse é um pedacinho da história recente de todos nós.

Para aqueles que nasceram nas décadas de 1970 ou 1980, o mundo foi bem diferente. Houveram guerras, inflação, epidemias, mas a juventude dos anos 80 e 90, pensava que seus avós não faziam ideia do quão difícil era a vida. Quando somos jovens, dimensionamos a vida pelo tamanho da nossa própria experiência. Mas, veja bem, os avós daquela geração, bisavós dos jovens de hoje, sobreviveram a várias guerras e catástrofes, sem um décimo das comodidades que temos hoje em dia.

Estamos, em pleno 2020, no meio de uma pandemia mundial, que já contabiliza cerca de 585 mil mortos. No entanto, uma parcela grande da população, desfruta, em alguma medida, das comodidades de um mundo novo. Ainda assim, a gente reclama porque precisa ficar em casa, mesmo com energia elétrica, sinal de internet, celular, comida, água encanada e um telhado seguro sobre a cabeça. A gente reclama por precisar usar máscaras para trabalhar ou entrar no supermercado, na padaria ou na farmácia. Nada disso existia no tempo dos nossos avós e bisavós. Nada disso existe para muitos, ainda nos dias atuais.

Então, se você coçou a cabeça ao terminar de ler esse texto, é porque compreende o quão privilegiados somos em poder passar por tudo isso juntos. Olhe para o passado e siga em frente, faça o que precisa ser feito, para que possamos sair juntos dessa pandemia.

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