Não mate a saudade

Texto publicado na edição do dia 24 de julho de 2020 do Jornal de Candelária

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Quando enviamos uma mensagem pelo celular, se não for um recado de trabalho, é tentador conseguir finalizar o texto sem colocar uma florzinha, um sol, uma lua, ou uma carinha feliz, triste, sonolenta, pensativa, beijoqueira. No meu caso, escrevo e já vou decorando o texto com figurinhas. Como é difícil resistir ao encanto dessas figurinhas divertidas!! Os emojis, como são chamados, são símbolos gráficos, ou desenhos, que representam um objeto, uma ideia, uma emoção.

Descobri, faz um tempo, que nem sempre os emojis significam aquilo que a gente pensa olhando para eles. Sendo assim, no uso cotidiano, damos novos significados a essas figurinhas. Você já devia, assim como eu, suspeitar disso. Afinal, quando escrevemos saúde aparece na tela do celular três imagens: duas taças de espumante brindando, dois canecos de chope e uma pessoinha espirrando. A carinha da pessoa espirrando é a mesma que aparece quando eu escrevemos a palavra gripe. Obviamente, porque quando alguém está gripado e espirra, logo alguém aparece desejando “saúde”, mas sem brinde algum, nem com espumante, nem com chope, embora coubesse uma xícara de chá.

Enfim, escrevo sobre emojis porque um deles, apenas um deles, me incomoda. E não são os que nos apresentam diferentes possibilidades de uso e interpretação da palavra saúde. O emoji que sempre me inquieta é o da saudade. Quando escrevo essa palavra, meu celular mostra uma carinha triste. Pode parecer tolo, mas aquela carinha tristonha me incomoda.

Quem definiu a saudade como um sentimento ruim? Quem definiu a saudade como tristeza? Será por isso que falamos em “matar” a saudade? Não seria mais interessante viver a saudade?

Eu sinto saudade dos amigos e  familiares que não vejo faz um tempo, das pessoas queridas que já se foram, de colegas que não trabalham mais ao meu lado. Não sinto tristeza por não estarem ao meu lado, sinto saudade.

A tristeza é algo que, quando cresce, vira tristezona. A saudade, quando cresce, me faz buscar as fotos, mexer no baú da memória e sentir o quão bom foi ter vivido e partilhado aquele tempo ao lado daquela pessoa.

A tristeza deprime, a saudade eleva. A tristeza não promove o desejo do reencontro, a saudade sim. Então, neste tempo de distanciamento, não se deixe entristecer. Cuide de si, celebre as amizades e o bem querer, apesar da distância e viva intensamente a saudade. Quando tudo isso passar, não mate a saudade, apenas celebre o encontro!!

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