A casa da memória coletiva

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Memoriais são lugares que asseguram a guarda da memória coletiva, para que não esqueçamos do que foi vivido por nós, ou por outros antes de nós. Para que sejamos capazes de caminhar em frente sem tropeçar nas mesmas pedras, repetindo velhos erros, ou fazendo sangrar feridas antigas. Memoriais são para a humanidade como álbuns de fotografias antigas, onde resgatamos memórias que estavam aodrmecidas e que, muitas vezes, nos ajudam a melhor compreender quem somos hoje.

Durante uma pandemia, assim como em tempo de guerra, o senso de coletividade deveria ter se aflorado. No entanto, nunca fomos tão egoístas. A memória coletiva desse tempo precisa ser guardada, para que lá na frente, na linha do tempo histórico, outros possam aprender com nossa falta de bom senso, nossa resistência em encarar a realidade de frente, nossa birra pueril para usar uma máscara que poderia salvar vidas, com nossa incapacidade de aquietar e nossa teimosia em querer buscar soluções simples para problemas complexos.

Navegando pelo Google encontrei um Memorial dedicado à história de cada uma das vítimas da COVID-19 no Brasil, chamado INUMERÁVEIS (https://inumeraveis.com.br/), uma obra do artista Edson Pavoni em colaboração com outros tantos jornalistas e voluntários. Fiquei profundamente emocionada com a ideia. Se fôssemos capazes de humanizar a estatística dessa pandemia, talvez conseguíssemos ser menos egoístas em nossas ações.

Já não nos sensibilizamos com o impressionante número de mortes diárias pela COVID-19 porque aprendemos a normalizar o inaceitável. Mas, quando os idealizadores do Memorial Inumeráveis dão nomes e vida aos números, isso faz despertar, em algumas pessoas, um outro modo de sentir e pensar sobre a morte daqueles desconhecidos.

Contar as histórias desse tempo é dar sentido ao tempo vivido. Contar as histórias daqueles que partiram, é dar sentido e valor ao tempo vivido por eles, que contribuíram para tecer a narrativa desse instante, para que o amanhã possa ser diferente.

A vida, é toda ela construção de narrativas. Uma história que não consegue ser narrada não é uma história, são apenas letras soltas e sem sentido. A memória é que consegue colocar uma história em perspectiva e o senso de realidade é que nos possibilita distinguir o real do ficcional. Memoriais nos ajudam a colocar os fatos em perspectiva histórica para que o nosso fio narrativo possa ser coerente, pra que a gente não se perca em nossa própria história.

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