Especial dia da Mulher I Empreender também é coisa de mulher

Juliana e Ana Paula começaram cedo o próprio negócio e hoje se orgulham do espaço e do reconhecimento conquistado

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9,3 milhões de mulheres. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), esse é o número total de empreendedoras no país. Uma classe fundamental para a sociedade e para a economia, que reflete muito das lutas diárias das mulheres brasileiras através da história. Em Candelária, muitas se destacam nesse ramo. Uma delas, há 20 anos como empresária, vem se reinventando e buscando o sucesso dia após dia. Sem esmorecer frente aos obstáculos, atualmente, Ana Paula Costa Lawall mantém duas lojas e ainda é guia de lojistas em São Paulo.
Aos 37 anos, Ana Paula relembra que começou aos poucos, mas sempre com uma alma empreendedora e visionária. Aos 16 anos, depois de concluir o Ensino Médio, as dificuldades financeiras a impediram de ingressar em uma faculdade. A alternativa foi buscar um caminho próprio e inovador. A primeira ideia foi fazer artesanatos e vender. Na verdade, ela até chegou a trabalhar como funcionária no comércio formal, mas tinha dificuldade de se encaixar em algo que ela não gostava de fazer. Foi isso que a fez buscar a sua realização pessoal.


Foi então que Ana Paula abriu seu primeiro negócio. O objetivo era observar a cidade e identificar novas oportunidades, nichos ainda desocupados no comércio do município. “Eu procurei ver o que não ainda tinha e, por isso, decidi a loja de bijuterias. Deu super certo, porque era uma novidade”, contou. Com o passar do tempo, a concorrência foi surgindo e, com isso, a necessidade de se reinventar. O passo seguinte, portanto, foi a abertura de uma segunda loja, mas, dessa vez, voltada ao setor de vestuário. “Agora, por último, eu inclui uma linha de presentes, mais próximo da decoração, para continuar conquistando clientes”, disse.

Ao relembrar essa trajetória, o sentimento é de orgulho pelas conquistas. “Eu comecei de um jeito tão pequenininho, fui conquistando mais e mais, bem aos poucos. Só eu sei o que vivi em cada etapa”, analisou. Isso tudo fez de Ana Paula uma mulher realizada e grata pelo que tem hoje. É por isso que faz questão de contar o segredo do sucesso: persistência. “Não dá para desistir”, afirmou.

PROFISSÃO: MÃE

Apesar de gostar muito de ser reconhecida como uma empresária de sucesso, a característica mais importante da mulher que Ana Paula se tornou é o jeito com que ela lida com a maternidade. “Em primeiro lugar vem sempre ela”, comentou, referindo-se à filha, Manuella, de 6 anos. Quando é necessário se separar da filha, como quando viaja a São Paulo como guia de lojistas, o coração aperta. “Eu já chorei muito por ter que deixá-la”, relatou.

E a pequena não esconde a admiração que sente pela mãe. Muitas vezes, Ana Paula já ouviu da filha que, quando ela crescer, quer trabalhar com a mãe. É por isso que o exemplo que a empresária quer deixar para Manuella e para todas as outras mulheres é a figura de uma mulher independente, que é capaz de correr atrás dos sonhos e das vontades sozinha.
Ana Paula reconhece que o machismo existe e dificulta as coisas para as mulheres, mas, para ela, isso nunca foi barreira. “Desde muito jovem eu sempre tive liberdade para fazer o que eu queria, mas senti alguns preconceitos”, contou. Um dos momentos, segundo ela, foi quando decidiu fazer carteira de motorista categoria D, para dirigir ônibus. “Alguns me olhavam como se eu não devesse fazer aquilo porque era coisa de homem, mas isso nunca me limitou e nunca vai limitar. As mulheres estão aí para ocupar qualquer espaço”, concluiu.

A realização de Juliana é adoçar a vida das pessoas

Juliana Ribeiro, de 28 anos, reconhece que não foi uma decisão – nem uma trajetória – fácil: ela largou a faculdade de Direito e se dedicou a fazer e comercializar doces. “Eu fui em busca da felicidade”, afirmou. Em 2012, a especialidade dela era bolo de pote, chocotone, ovo de colher… Em 2017, ela acresceu brigadeiros ao cardápio e foi isso que fez o negócio deslanchar. “Eu quis inovar e deu super certo”, contou. Além de atender a eventos, também faz doces diariamente para o avô dela vender no comércio. Antes da pandemia, ela chegou a fazer 3 mil doces por semana.


Com o negócio, ela conquistou a independência e a possibilidade de ter uma profissão que realmente gostasse. “Eu odiava os domingos, porque antecediam uma nova semana e eu não era feliz durante a semana”, disse. No início, Juliana enfrentou dificuldades, principalmente preconceito em relação ao empreendimento que estava começando. “As pessoas achavam que eu estava brincando de casinha ou que eu merecia pena”, relatou. Felizmente, a qualidade e a concretização do trabalho dela renderam a valorização que tanto esperava.

A palavra-chave para o sucesso de Juliana foi determinação. Desde o início, ela focou no desejo de ser conhecida e reconhecida por ela mesma e por seu trabalho. “Eu fiz o meu nome e também me tornei a minha própria marca”, comentou. Isso, para a empreendedora e para a família, é motivo de orgulho. Aliás, foi com a avó que começou a se aventurar na cozinha, ainda quando era criança. Daquele tempo, Juliana também traz características importantes para a mulher que se tornou, como ser batalhadora e sonhadora.

Estar a frente do próprio negócio a fez mudar, amadurecer como mulher e como profissional. Mesmo assim, ainda percebe preconceito com aquelas que buscam um destino diferente dos idealizados pela sociedade. Consequentemente, o que boicota a mulherada é o medo. “É por isso que meu recado para as mulheres é vamos em frente, vamos lutar, porque a vida é curta demais para nos preocuparmos com o julgamento dos outros”, sublinhou.

 

 

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