ESPECIAL DE NATAL | Mesmo no grupo de risco, Papai Noel não desiste da missão

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Papai Noel
Papai Noel já esteve por aqui, visitando crianças do interior. Foto: Divulgação/JC

2020 não foi – e não está sendo – fácil para ninguém. Os mais afetados, no entanto, são os idosos, grupo de risco da covid-19, que precisam redobrar os cuidados com os protocolos sanitários e distanciamento. Tem muitos que estão cumprindo isolamento domiciliar desde o início da pandemia de coronavírus, lá em março. Um desses idosos é conhecido de todos: o Papai Noel. É claro que para ele era natural ficar longe de tudo e todos durante todo o ano, só observando o comportamento das crianças e preparando as surpresas da noite de Natal. Apesar desse hábito de se isolar, este ano também está sendo diferente para o Bom Velhinho.

E para matar a curiosidade dos leitores, que estão preocupados quanto à entrega de presentes, a equipe de reportagem do Jornal de Candelária conseguiu uma entrevista exclusiva com o Papai Noel, que esclareceu tudinho. Aliás, ele adiantou que ninguém vai ficar sem presentes – desde que seja uma pessoa legal, mas que será necessário tomar muitos cuidados com as reuniões de família. “Não esqueçam a máscara e o álcool em gel”, alertou.

Neste Natal, esses novos acessórios também passaram a fazer parte do traje do Bom Velhinho, junto com a touca vermelha, o cinto preto e o saco de presentes. E se lhe perguntam o porquê dessas “modernidades”, a resposta é categórica: “precisamos cuidar uns dos outros”. E como o próprio apelido diz, o Papai Noel é velhinho e não pode se descuidar da saúde. Todo esse zelo, porém, não o fez desistir da sua tradicional missão. “São tempos bem diferentes e bem estranhos, mas eu não posso deixar de estar presente neste Natal. Tem muitas crianças me esperando por aí”, revelou.

O Papai Noel quer que sua presença represente a vida, que, neste momento, precisa ser cuidada. “Se antes o abraço, o beijo eram sinais de carinho e afeto, isso agora se transmite através do cuidado, do respeito ao próximo, evitando a transmissão da doença”, argumentou. Apesar de o trabalho ser mais intenso na noite de hoje (24), ele já andou visitando algumas crianças do interior do município há alguns dias. E esses encontros deixaram o Papai Noel muito orgulhoso, porque as crianças estão preocupadas com as regras de combate ao contágio de coronavírus.

Mensagem

Pode até parecer, mas as visitas do Papai Noel não são dedicadas somente a entregar presentes. Ele também se preocupa em levar uma mensagem de amor a todos a quem ele entra em contato. Neste ano, o recado é: cuidem-se! Nesse sentido, o Bom Velhinho acredita que é necessário valorizar mais o carinho e as trocas que acontecem diariamente. “É isso que nos faz viver e é isso que vai nos dar esperança em um amanhã melhor”, disse.

Muitos veem essa esperança no próprio Papai Noel. Ele sente isso através dos abraços e dos relatos de cada criança. “Nesses momentos, a felicidade dos demais faz mais sentido do que minha própria felicidade”, avaliou. Apressado para terminar de embalar os presentes de todo mundo, o Bom Velhinho garantiu, mais uma vez, que estará por aqui hoje à noite. Ele vai pousar o trenó no Aeroporto de Santa Cruz do Sul e de lá até Candelária virá de moto. Se houver atraso, é devido ao trânsito intenso da RSC-287.

Aos 40 anos, Tiago Corrêa é professor, músico, árbitro e estudante de Filosofia. Apesar de morar em Santa Cruz do Sul, só exerce a tarefa de interpretar Papai Noel aqui em Candelária. Ele descobriu esse talento há três anos e, para Corrêa, a brincadeira ganha contornos de emoção porque entende que o Bom Velhinho é uma figura que está sempre presente no imaginário das pessoas, mas é mais especial para as crianças. Durante toda a infância, aliás, conviveu com familiares que tinham o costume de se caracterizar como Papai Noel. “É recompensador, porque vivo aquele ditado do ‘é dando que se recebe’. Eu entrego presente, mas ganho carinho e afeto”, finalizou.

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