Paróquia da Candelária recebe padre haitiano

Após saída do padre Lucas Del Osbel, Jean Mara Lafortune será vigário paroquial

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Padre Lafortune nasceu em Porto Príncipe, mas vive há 16 anos no Brasil. Foto: Fernando Cezar/JC

Desde o dia 6 de janeiro, a Paróquia Nossa Senhora da Candelária conta com uma novidade. É a presença do padre haitiano Jean Mara Lafortune, que ocupará o cargo de vigário paroquial, posto do padre José Carlos Stoffel antes da transferência do padre Lucas Del Osbel. Com a ida dele para Encruzilhada do Sul, o padre José ascendeu à função de pároco e, por isso, ganha nova companhia.

O padre recém-chegado tem 45 anos e há 16 anos vive no Brasil. Ele será assistente direto do padre José. Essa será a primeira experiência de Lafortune em uma paróquia maior e com várias comunidades adjacentes. Nesse sentido, ele destaca que o fato de existirem 43 comunidades católicas em todo o município requer um pouco de adaptação. Apesar do desafio, está grato por ter sido designado a Candelária. “Recém cheguei, então ainda não conheci muita coisa. Mas tudo é questão de adaptação à realidade local. A pandemia é um empecilho a mais, pois limita muito o contato, o que deixa a adaptação mais lenta. Mesmo assim tenho intenção de ajudar no que puder e dar andamento ao que a paróquia tem feito”, destacou.

CAMINHADA
Antes de chegar a Candelária, a história do padre Lafortune já era marcada por muitas mudanças, experiências e estudo. Ele desembarcou no Brasil em 2005. Na época, pertencia à congregação Oblatos de São Francisco de Sales, desde 2002. Após sua chegada em terras tupiniquins, iniciou as etapas necessárias para ser ordenado padre. Fez o noviciado em Passo Fundo e, em seguida, deu seus votos.

Em 2006, deu um dos passos mais importantes ao ingressar na faculdade de Teologia, na Escola Superior de Teologia e Espiritualidade Franciscana (Estef), de Porto Alegre. Após o primeiro ano de curso, retornou ao Haiti, onde ficou até 2009. Naquele ano, vivenciou o terremoto que devastou sua cidade natal, a capital da ilha caribenha, Porto Príncipe.
O retorno ao Brasil, em específico ao Rio Grande do Sul, ocorreu em 2010, quando se formou como teólogo. Nos anos seguintes, a caminhada seguiu com o curso de Filosofia, na Unisinos. Nesse período, atuou como ajudante de inclusão digital de crianças e jovens em uma indústria de confecção e ainda em uma empresa de telemarketing.

Na região, o padre Lafortune desembarcou em 2016. Passou a morar em Santa Cruz do Sul e se ordenou diácono em maio de 2019, atuando na Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição, no Bairro Bom Jesus. Em dezembro do mesmo ano, se tornou padre, passando a atuar na paróquia Santo Antônio, também naquele município.

Desde que se mudou para Santa Cruz, o padre chegou a vir algumas vezes até Candelária, ainda no período em que a paróquia teve como pároco o padre Ênio Griebeler. “Conhecia a casa paroquial, mas a cidade ainda não conhecia totalmente”, ressaltou.

“Vim para auxiliar nas mais diversas demandas”

O novo padre Jean Mara Lafortune, embora tenha chegado há pouco ao município e encontrado uma realidade diferente da que estava acostumado, destaca que tudo vai depender de um tempo, mas vai tentar ajudar no que a comunidade precisar. “Estou com uma expectativa boa, sei dos projetos sociais que a Paróquia realiza e quero dar andamento a eles. Vim para auxiliar e contribuir com a comunidade nas mais diversas demandas”, ressaltou.

Como vigário paroquial, ele essencialmente será um auxiliar do pároco em diversas tarefas. Enquanto o pároco fica responsável pela instituição, como um todo, ele cuidará das demandas pedidas em toda comunidade, seja para realizar batizados nas residências, participar de campanhas, entre outros.

PANDEMIA
Um dos projetos em que o novo padre tem mais interesse é em relação ao auxílio às pessoas que estão enfrentando dificuldades em relação à pandemia de covid-19. Conforme ele, movimentos como o Candelária Solidária precisam continuar, pois o auxílio emergencial acabará. “Existe muita gente em dificuldade, ainda há empresas fechando, então temos que fazer algo prático e ajudar essas pessoas”, completou. Ele ainda diz que é necessário manter ações práticas, pois só assim a situação de vulnerabilidade é revertida.

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