Estiagem acentua e traz alerta à comunidade

Ações da prefeitura tentam minimizar efeitos da falta de chuvas, inclusive com a entrega de água para comunidades do interior

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Leito do rio Pardo está com quantidade de água reduzida devido a seca. Foto: Fernando Cezar/JC

O rio Pardo está no seu limite. Assim pode ser definida a atual situação do rio que corta a Terra do Botucaraí, e que desde o final de 2019 vem sofrendo com a recorrente falta de chuvas que assola Candelária e região. Em qualquer parte do seu leito é possível notar os efeitos catastróficos que a seca tem proporcionado: as pedras que ficam nas profundezas do rio Pardo tem aparecido, a forte correnteza característica já não existe mais e em alguns trechos, ao longo de sua extensão, já não há mais água corrente.

Na localidade da Rebentona, no interior de Candelária, os efeitos da estiagem são ainda mais notórios. A região é uma das mais afetadas pela falta de chuvas tanto que é possível visualizar já no percurso até a localidade, costeada pelo leito do rio, apenas uma pequena faixa de correnteza, isso quando há água, pois em alguns trechos o rio até parou de correr. Há vegetação em boa parte do leito e, inclusive, pontos onde troncos de árvores começam a aparecer.

A região é fortemente lembrada por conter lavouras de arroz, as quais dependem da água do rio para se manter. Contudo, mesmo nos pontos utilizados pelos agricultores para bombear água, há pouca quantidade. Conforme o diretor do Departamento de Meio Ambiente (Dema), Valter Fernando Schmidt Auler, desde abril de 2020 o município está em um estado considerado crítico. Ele explica que, mesmo com boas quantidades de chuva durante o ano passado, a precipitação não foi suficiente para repor os reservatórios. “Eles diminuíram mais ainda, pois não houve quantidade suficiente de chuva para reconstituir esses locais”, disse.

ENTREGAS DE ÁGUA
Com a baixa correnteza, já começa a faltar água em algumas localidades do município. Conforme contabiliza Auler, já são 12 comunidades sofrendo com o problema. Para suprir esta necessidade, o Executivo, em parceria com a Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan), tem reunido esforços para levar água até as famílias que estejam precisando, mediante o pagamento de uma pequena taxa. De acordo com o diretor do Dema, cerca de 100 mil litros são entregues semanalmente por meio de um caminhão-pipa, montado de forma especial, para atender a demanda. A distribuição ocorre durante todo o dia e aos sábados. A entrega está sendo feita em até dois dias após o pedido, o qual é feito junto a Corsan.

Uma das pessoas que procurou pela entrega de água foi Rosane Peixoto da Silva, de 53 anos. Moradora da cidade, ela tentava, na quarta-feira (20), na secretaria de Agricultura, um carregamento urgente de 2 mil litros de água potável para a filha, que reside na localidade de Corredor dos Vargas, junto dos netos de 6 meses e 7 anos. “Preciso que levem água para minha filha, pois senão vou ter que ir lá buscar eles e trazer para a cidade. Ela está tendo que ir no vizinho pegar água para beber e cozinhar”, disse.

Famílias do interior recebem água adquirida junto à Corsan e à prefeitura. Foto: Divulgação/JC

AÇÕES

O secretário de Agricultura, Dionatan Tavares, afirmou que todos os esforços para garantir o abastecimento da população estão sendo empreendidos. Ele explica que as chuvas não foram suficientes, acumulando 500 milímetros a menos em 2020 que a média de precipitação anual nos últimos sete anos.

Tavares destaca que são três frentes para combater a situação. A primeira é em relação à entrega de água para as famílias do interior, como já relatado. Outra se refere à obras de abertura de açudes e poços, para também auxiliar no consumo de água humano, como também dos animais, o que garante assim evitar a dessedentação animal. “Esses trabalhos eram comumente realizados, mas desde o dia 5 de janeiro foram ampliados devido a situação crítica. Já fizemos 18 atendimentos e há outros 60 na espera, os quais vão se acumulando e o nosso maquinário não é suficiente”, comentou.

Há ainda instalação de poços artesianos na localidade do Pinheiro, Picada Karnopp e Três Pinheiros, liberados pela secretaria de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural do RS. A ideia no futuro é transformar os locais em redes de água. Tavares também salienta que nos próximos dias será decretado estado de emergência, principalmente devido às perdas na soja, no arroz e principalmente no milho, causadas pelas faltas de chuva.

Corsan lança campanha para poupar água

Embora o abastecimento esteja praticamente garantido, a Corsan está pedindo colaboração da população para evitar o consumo desnecessário de água potável no município. Conforme a estatal, o forte período de estiagem fez os mananciais chegarem a níveis críticos de abastecimento, por isso é necessário abandonar hábitos que gerem desperdício e começar a fazer uso consciente da água.

Por este motivo, a Corsan recomenda aos clientes que usem somente vassoura para limpeza de calçadas e quintal, fique atento à descarga principalmente cuidar se não está desregulada. Outra solução para gastar menos água é a reutilização da água da máquina de lavar(essa água não é própria para o consumo, mas pode servir para as plantas, lavar o quintal e dar descarga), não lavar carros (caso necessário use balde), evitar o uso de grandes volumes de água, e se for necessário, fazê-lo no período da noite, após as 23h para não sobrecarregar o sistema de abastecimento durante o dia. Conforme nota, a prática contribui para a estabilidade do sistema operacional evitando ocorrências eventuais de baixa pressão.

Em caso de vazamentos de água em via pública, é possível pedir apoio através do App Corsan, Site ou 0800 646 6444.

Fotos: Fernando Cezar/JC

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