ESPECIAL | DIA DO ADVOGADO: Amor à luta pelos direitos de cada um

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Há dois anos, Melissa atende clientes em um escritório próprio. Foto: Heloisa Corrêa/JC

Ela é daquelas determinadas. Antes mesmo de concluir a faculdade de Direito, já garantiu o aceite na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Assim que se formou, em fevereiro de 2018, solicitou a carteira e em maio do mesmo ano já começou a atuar. Afinal, ao se tornar advogada, Melissa Corrêa Paranhos estava realizando um sonho, o qual a acompanhou desde criança. Há dois anos, está atendendo em um escritório próprio e se diz realizada. “Gosto de advogar”, afirmou.

O motivo de tanta certeza são os ideais que levaram Melissa a escolher a profissão e que também a mantém firme na prática jurídica. “O Direito é importante para mostrar os direitos de cada um, até mesmo para aqueles que não sabem que têm”, disse. Esse ímpeto, alinhado a valores como honestidade e trabalho sério, fez com que a jovem advogada conquistasse seu espaço no mercado de trabalho e atraísse uma clientela fiel. “Eu procuro ser sempre clara sobre o caso de cada cliente”, garantiu.

E ela não descansa para fazer valer o papel do Direito na sociedade. “Ninguém procura uma advogada se não precisa de alguma coisa realmente importante. Então é nossa missão esgotar todas as chances de garantir os direitos dos clientes”, destacou.

É claro que, no início, não foi nada fácil. Melissa precisou aceitar processos – e clientes – difíceis, lutando para que seu esforço fosse reconhecido. Hoje em dia, já tem estabilidade para selecionar em quais casos gosta de trabalhar e sabe que pode fazer a diferença. Outra questão com a qual teve que lidar foi o fato de ser mulher e jovem, já que começou a advogar com 23 anos. “Eu aprendi a me posicionar como profissional. Tratando as pessoas com respeito, precisei impor respeito”, relatou.

FUTURO
Aos 25 anos, Melissa atende causas previdenciárias, cíveis – principalmente contra bancos -, criminais e empresariais, além de causas trabalhistas, em parceria com a advogada Daniela Lemos. A jovem está se especializando em Direito Empresarial. Como nutre um carinho especial pelo Tribunal do Júri, não descarta a realização de uma pós-graduação em Direito Criminal. Por enquanto, realizou alguns cursos na área. “Quem sabe eu consiga unir as duas coisas?”, apostou. Uma coisa é certa: não pretende prestar concurso público.

Melissa se descobriu no Tribunal do Júri

Quando a Defensoria Pública está sem defensor ou defensora, é comum que o órgão convoque advogados para serem dativos e defender pessoas que estão respondendo a processos criminais. A advogada Melissa Corrêa Paranhos já encarou essa tarefa três vezes e revela nutrir um carinho especial por atuar no Tribunal do Júri.

Uma inspiração – e também um incentivador – foi o promotor de Justiça de Candelária, Martin Albino Jora. Enquanto aluna dele, na Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), foi estagiária na Defensoria Pública por dois anos. Nesse período, aprendeu a olhar os processos de um jeito diferente e observar a atuação dele no Tribunal. “Eu ouvia a impostação de voz dele e tentava fazer igual, tanto que alguns dizem que eu falo parecido”, disse.

Conforme Melissa, as três experiências de júri que ela teve foram muito enriquecedoras. No primeiro, ela confessou um pouco de nervosismo. Nos demais, tudo fluiu com tranquilidade. Ela não escreve os argumentos, mas dá uma ensaiadinha alguns dias antes. Outra revelação foi sobre se emocionar e se envolver nas histórias de cada cliente. “Precisa de uma dedicação, de um mergulho, na situação. Converso com os clientes, leio o processo muitas vezes, desenho. Para um eu até estudei medicina legal”, contou.

História

>> Melissa Corrêa Paranhos é filha de agricultores. Conforme ela conta, a família é de origem humilde, mas nunca sofreu com a falta de qualquer item imprescindível. Nenhum parente próximo é advogado ou havia concluído um curso de graduação. Desde o colégio, tinha certeza que não queria trabalhar no campo e, por isso, contou com o apoio dos pais para cursar a faculdade de Direito. Melissa foi a primeira da família a conquistar o diploma do ensino superior.

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