ESPECIAL | COLONO E MOTORISTA: Um santuário para as abelhas nativas

Há cinco anos, Samuel Augusto Pfeifer, de 26 anos, aposta na meliponicultura para diversificar e potencializar a propriedade

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Samuel Pfeifer cria abelhas nativas gaúchas há cinco anos. Foto: Gilmar Schwantz/JC

Na localidade de Linha do Salso, um jovem agricultor decidiu, há cinco anos, apostar na natureza para diversificar a propriedade. A investida de Samuel Augusto Pfeifer, de 26 anos, foi na meliponicultura, nome dado à criação de abelhas nativas sem ferrão. Desde o início da prática, ele já aumentou o número de colmeias em quase 100%, além de ter potencializado a produtividade da área, com a polinização feita pelos insetos. A ideia, de fato, deu certo. Tanto que a sensação de quem passeia pela propriedade é a de estar entrando em um santuário das abelhas nativas, onde o intruso é o ser humano.

Pfeifer tem, aproximadamente, 100 caixas povoadas por oito espécies de abelhas nativas do Rio Grande do Sul. Os nomes têm origem no vocabulário indígena: Jataí, Mirim Droryana, Mirim Guaçu, Mirim Nigriceps, Mandaçaia, Manduri, Tubuna e Canudo. Ao todo, somente no Estado, são 24 espécies catalogadas. No Brasil, passa de 300. Conforme Pfeifer, cada variedade de abelha tem as suas peculiaridades, inclusive no número de indivíduos que pode viver em cada caixa. “A Jataí pode ter até 8 mil abelhas, enquanto a Manduri não passa de 300 em cada caixa”, explicou.

As abelhas sem ferrão são fundamentais para a polinização de árvores e flores e, consequentemente, a produção de alimentos. Preservá-las se tornou um hobby para Pfeifer, pois acredita que a tarefa tem um propósito: manter o equilíbrio entre o consumo humano e a natureza. E ele se envolve desde pesquisando sobre a prática na internet, até a captura dos enxames e confecção das caixas, que utiliza na própria criação e também comercializa. Para o futuro, o jovem já tem uma série de ações traçadas, para buscar o sustento através disso.

Uma das primeiras atitudes foi buscar o registro de meliponicultor junto à secretaria de Meio Ambiente do Rio Grande do Sul, para garantir que a criação dele esteja de acordo com a legislação ambiental vigente.

PLANOS
Pfeifer não tem interesse em deixar a zona rural e, para isso, planeja transformar ainda mais a propriedade, além de expandir a meliponicultura, explorando outros vieses. Atualmente, divide a casa com os pais, a irmã, o cunhado e a namorada. Além das abelhas, eles plantam alimentos para a subsistência da família e tabaco. “Queremos abandonar o fumo assim que der. Hoje plantamos 35 mil pés, mas já chegou a 80 mil. Estamos reduzindo aos poucos”, relatou.

Uma das ideias de Pfeifer é apresentar o projeto a meliponicultura em escolas, para promover a conscientização das crianças em relação à necessidade de preservar as abelhas sem ferrão. Para demonstrar ao público que já o visita – vindos, principalmente de outros municípios do Centro Serra – ele utiliza caixas de vidro, que possibilitam entender a organização das colmeias. Outra possibilidade vislumbrada por Pfeifer é abrir a propriedade para o turismo rural, de maneira que as pessoas possam saborear mel e outros produtos, além de aprender sobre a prática.

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