ESPECIAL | COLONO E MOTORISTA: A escolha por uma vida boa no campo

Depois de morar na cidade, William Hennig percebeu que viver e trabalhar no interior tem suas vantagens

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William Luis Hennig comercializa melado na feira ecológica central. Foto: Heloisa Corrêa/JC

Dizem que as luzes da cidade costumam atrair os jovens do campo. No entanto, há quem não resista a um anoitecer tranquilo no interior. O agricultor William Luis Hennig, de 30 anos, é um exemplo. Aos 18 anos foi servir ao Exército e, após deixar o serviço militar, decidiu morar na cidade. Por três anos, trabalhou na empresa Botucaraí Alimentos. A sistemática do trabalho na indústria, com horários a cumprir e responsabilidades a atender, além da necessidade de pagamento de contas, como aluguel e água, contudo, desanimaram William em relação à vida na zona urbana. Foi quando ele escolheu voltar para a propriedade da família, na localidade de Alto Passa Sete.

O trabalho é tão cansativo quanto na cidade, mas lá não tem gasto com aluguel e água. Ah, e também pode trabalhar com tranquilidade, no horário que mais convém, sem precisar dar satisfação a superiores, dependendo somente dele mesmo. O pai de William, Cláudio, ficou aliviado com a decisão do filho, pois representou a continuidade do negócio da família. Atualmente, os dois, em uma parceria enriquecedora, tocam a Agroindústria Hennig, que beneficia cana-de-açúcar. São diversos produtos feitos lá, mas o carro-chefe é o melado.

Para William, a vontade de largar a produção de tabaco é o que está desmobilizando os agricultores. O que ele quer dizer é que não é fácil encontrar alternativas de sustento viáveis no campo, de maneira que consideram a vinda para a cidade a melhor opção. “É mais fácil sair do interior do que diversificar”, afirmou. No caso da Agroindústria Hennig, por exemplo, demorou para que conseguissem estabelecer uma clientela fidelizada. De lá para cá, se vão mais de 20 anos.

Um dos locais em que a família comercializa os produtos feitos a base de cana é a Feira Ecológica Central. Fora isso, a maior parte das vendas é feita de forma direta. As pessoas encomendam e eles entregam nas casas. No último ano, a agroindústria produziu e comercializou 9 toneladas de melado. A matéria-prima também tem origem na propriedade, onde são cultivados nove hectares de cana.

E VAI CONTINUAR
É claro que o futuro é um mistério e tudo pode mudar de uma hora para outra. Os planos de William, no entanto, não incluem deixar a propriedade da família. A ideia é continuar crescendo e expandindo os negócios da agroindústria, até que a filha Sofia, de três meses, possa assumir essa responsabilidade.

Para ele, é importante que haja sucessão rural, mas percebe que falta valorização da agricultura familiar por parte dos governantes. “As estradas podiam ser melhores e o sinal de celular também”, pontuou.

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