ESPECIAL | COLONO E MOTORISTA: A agricultura nunca para de evoluir

Há mais de 10 anos, Rui Kohl deixou de plantar tabaco e investiu na produção de soja e arroz

0
Rafael e Rui, filho e pai, trabalham juntos na produção de soja e arroz. Foto: Heloisa Corrêa/JC

Há algumas décadas, quem passeava pelo interior de Candelária podia perceber que a maior parte das lavouras eram utilizadas para o plantio de tabaco. Nos últimos dez anos, porém esse cenário mudou muito. O que predomina, atualmente, é a soja. De acordo com dados do último Censo Agropecuário, realizado em 2017 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de estabelecimentos produtores do grão praticamente dobrou em dez anos. Já a produção aumentou em mais de 175%.

O Censo Agropecuário indica que em 16.641 hectares de solo candelariense são plantados soja. Essa área é dividida em 374 estabelecimentos, que, juntos, produzem, em média, 52.266 toneladas do grão. Desse total, mais ou menos 231 toneladas são produzidas nos 70 hectares cultivados pelo agricultor Rui Kohl, de 55 anos. Morador da localidade de Linha Facão, ele foi um dos que abriu mão da produção de tabaco para investir no plantio de soja.

A mudança aconteceu há mais de 10 anos. Segundo ele houve dois motivos fundamentais para tal decisão: a soja é mais valorizada, do ponto de vista econômico; e o serviço não exige tanto pessoal, possibilitando que somente a família dê conta do recado. Atualmente, ele conta com a parceria do filho, Rafael, de 26 anos, para tocar a propriedade.

Além de soja, eles plantam também arroz, com a técnica de rotação de culturas. Isto é, durante um período plantam arroz e depois soja, sucessivamente. Dessa maneira, a produtividade aumenta, pois diminui a incidência de pragas e capins resistentes, possibilitando a redução da aplicação de agrotóxicos.

SEMPRE AQUI
Rui nasceu, cresceu e pretende permanecer sempre na propriedade em que mora, na Linha Facão. Nem no ano passado, quando a produtividade das lavouras de soja caiu mais de 50%, por causa da seca, ele pensou em desistir. “Só deu pra pagar as contas”, relembra. Mesmo assim, a safra 2020/2021 já está planejada, a semeadura começa no fim de outubro e a expectativa é de que seja significativamente melhor que a anterior. “Eu acho que está na genética do colono não desistir”, avaliou.

Essa motivação, segundo Rui, vem da possibilidade de se manter com os produtos que eles plantam, bem como a carne das criações de gado e suíno. Essa sustentabilidade da propriedade é o que o orgulha. Também lhe orgulha saber que a agricultura é o esteio da economia em muitos municípios, como é o caso de Candelária. “Em um ano difícil como esse, a agricultura é essencial. A indústria está se esperneando e a gente vai escorar”, definiu.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here