Empresas fumageiras iniciam compra de tabaco

Pandemia deverá tornar o processo mais lento devido às restrições impostas pelas autoridades de saúde, mas não deve afetar o preço

0
Empresas estão limitando acesso de produtores como medida de segurança (Foto: Matheus Haetinger/Arquivo JC)

Assim como aconteceu no primeiro semestre deste ano, a pandemia do coronavírus deverá atrapalhar um pouco o processo de compra de tabaco. Algumas empresas já iniciaram a comercialização com algumas restrições ao número de funcionários e produtores. Segundo a Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra) isso poderá tornar o processo mais lento, assim como ocorreu a partir de março no final da comercialização da safra passada.

A primeira empresa a iniciar a compra foi a Tabacos Marasca, de Venâncio Aires. A empresa começou a receber o produto no dia 15 de novembro, mas deve interromper a compra na próxima semana e retornar apenas na segunda quinzena de janeiro. Segundo o supervisor da empresa Roberto Machado, o fluxo tem sido menor de produtores e funcionários e a empresa está seguindo todas as orientações como medidas de segurança.

Outra empresa que também já iniciou a comercialização foi a Universal Leaf Tabacos, de Santa Cruz do Sul. Segundo a assessoria de imprensa, a compra do tabaco foi iniciada em 1º de dezembro e a empresa está adotando todos os protocolos de higienização e distanciamento social indicados pelas autoridades sanitárias. Para evitar aglomerações, somente um representante por produtor está autorizado a acompanhar a comercialização do respectivo tabaco.

A JTI também iniciou a compra no início de dezembro e está com restrições e medidas sanitárias. A reportagem entrou em contato com a Philips Morris e a CTA, mas não obteve retorno. Ambas tinham previsão de iniciar a compra nesta semana, segundo a Afubra. Já as empresas BAT Brasil (Souza Cruz), Alliance One e China Brasil Tabacos irão abrir a comercialização somente no início de janeiro.

O pedido para iniciar a compra ainda em 2020 partiu da Afubra, que elaborou uma correspondência destinada às empresas fumageiras. Conforme o presidente da entidade representativa dos fumicultores, Benício Albano Werner cada empresa é responsável por definir o seu cronograma de comercialização. O documento contou com o apoio das Federações dos Sindicatos Rurais (Farsul, Faesc e Faep) e Federações dos Trabalhadores Rurais (Fetag, Fetaesc e Fetaep).

“Ficamos muito satisfeitos com as empresas que atenderam nosso pedido de iniciar a compra ainda em 2020 e orientamos os produtores que entrem em contato com seus orientadores para organizar as suas vendas e também o auxílio necessário nas questões financeiras”, finaliza Werner. Algumas empresas que sinalizaram o início da compra em janeiro, garantiram que iriam auxiliar os produtores financeiramente, caso necessário.

Negociações do preço devem ser diferentes

Em função da pandemia, as formas de negociação do preço de tabaco devem ser diferentes nesta safra, segundo o presidente da Afubra, Benício Albano Werner. Em outros anos, a entidade elaborava uma proposta às empresas, após estudo utilizando o custo de produção do tabaco. Depois disso eram realizados diversos encontros presenciais com os representantes das indústrias fumageiras e as entidades que representam a classe produtora.

No entanto, nesta atual safra, as reuniões deverão ser de forma virtual. “Assim que finalizarmos o estudo do custo de produção iremos nos reunir com as Federações dos Sindicatos Rurais (Farsul, Faesc e Faep) e Federações dos Trabalhadores Rurais (Fetag, Fetaesc e Fetaep) para debater sobre o reajuste do preço do tabaco. Após, iremos marcar as reuniões com as empresas fumageiras. Por causa da Covid-19, provavelmente, teremos que fazer a negociação virtualmente”, comentou.

Ainda não se sabe qual será o percentual de reajuste que será encaminhado às empresas. Conforme Werner, a equipe terminou a pesquisa do custo de produção no dia 30 de novembro e está apurando os resultados. O estudo leva em consideração todas as etapas desde a semeadura do tabaco até a secagem. O que mais impacta no custo é a mão de obra, responsável por 56% do custo de produção. “Quanto ao preço, entendemos que a questão da Covid-19 não terá nenhuma influência”, afirmou o dirigente.

>> Confira a cronograma de cada empresa:
> Universal Leaf Tabacos – 1º de dezembro
> BAT Brasil (Souza Cruz) – deve iniciar em janeiro
> Philip Morris – estava previsto para iniciar nesta semana, mas não confirmou;
> JTI – 1º de dezembro
> Continental Tobaccos Alliance (CTA) – estava previsto para iniciar nesta semana, mas não confirmou;
> ATC – estava previsto para iniciar em dezembro; mas não confirmou;
> Tabacos Marasca – 15 de novembro
> Alliance One – deve iniciar em janeiro
> China Brasil Tabacos – deve iniciar em janeiro

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here