Em Candelária, 9,3% dos votos válidos são facultativos

Mais de 2 mil eleitores candelarienses se enquadram em faixas etárias em que o voto não é obrigatório

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Zenemar Ferreira nunca deixou de votar, este ano vai manter a tradição. Foto: Heloisa Corrêa/JC

Historicamente, a abstenção em eleições municipais é significativa. No último pleito, por exemplo, realizado em 2016, 15,1% dos eleitores candelarienses não compareceram às urnas. Neste ano, em virtude da pandemia de coronavírus, o Tribunal Superior Eleitoral estima que essa ausência seja ainda maior. Isso porque 9,3% do eleitorado da Terra do Botucaraí está incluso em faixas etárias com direito a voto facultativo. Ou seja, das 21.896 pessoas aptas a votar, 2.058 têm 16 ou 17 anos ou idade entre 70 e 94 anos. A maioria, 1.950, é idosa e faz parte do grupo de risco da covid-19.

Mas o cenário de pandemia não assusta o aposentado Zenemar Mendes Ferreira. “Vou votar. Não tenho mais obrigação, mas vou votar”, definiu. Aos 70 anos – completa 71 seis dias antes do dia da votação – ele encara o voto como um dever daqueles que vivem na sociedade democrática. Ferreira fez o título de eleitor em 1968, mas passou a votar em Candelária somente na década de 1980. De lá até agora, já perdeu as contas de quantas eleições já participou, mas nunca se absteve. “Enquanto eu tiver condições físicas de comparecer à urna, eu vou”, afirmou.

O que move Ferreira é a esperança. Para ele, a eleição representa chance de renovação, busca por dias melhores. Participar do pleito municipal, na opinião do aposentado, é ainda mais importante, pois determina quem vai administrar um sistema que afeta diretamente a vida da população local. “Não sou pretensioso a ponto de achar que o meu voto, sozinho, vai decidir a eleição. Mas se 500 pessoas que não são obrigadas a votar não forem, isso sim pode fazer diferença”, apontou.

CORONAVÍRUS
Ferreira chegou a acreditar que a eleição não seria realizada este ano, em virtude da pandemia de coronavírus. Idoso, assim como 23,77% do eleitorado total, está tomando diversos cuidados para evitar o contágio. Até porque, de acordo com as diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS), ele se enquadra no grupo de risco da covid-19. A doença, no entanto, não vai ser um empecilho. “Não quero deixar que decidam por mim, vou votar”, afirmou.

Apesar da convicção exemplar de Ferreira, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) está preocupado em relação ao índice de abstenção no dia 15 de novembro. A expectativa é de que o número de eleitores que vai optar por não votar seja recorde. E não é somente entre aqueles que têm voto facultativo, mas também em relação aos eleitores que integram outras faixas etárias e possuem alguma comorbidade.

É por isso que o TSE organizou, junto com profissionais da saúde, uma série de protocolos sanitários e de distanciamento social para o dia da eleição. Uma das principais medidas é a extensão do horário de votação. Os eleitores poderão comparecer às urnas das 7h às 17h. Além disso, o horário entre as 7h e as 10h será reservado para pessoas acima de 60 anos.

Nesse sentido, a recomendação do TSE é de que os eleitores não deixem de participar da votação, mas que tenham atenção e respeito para cumprir as normativas sanitárias e de distanciamento social estabelecidas para estas eleições municipais. Contudo, a abstenção é a melhor saída para aqueles que apresentarem febre ou outros sintomas relacionados ao coronavírus.

Os eleitores entre 18 e 69 anos que não votarem devem justificar a ausência nas eleições, pela internet ou aplicativo de celular. Se isso não for feito, é necessário pagar multa para regularizar a situação.

Chegou a hora de exercer o direito de votar

Se o coronavírus não impediu a estudante Flávia Luisa Siqueira Puntel, de 16 anos, de fazer o título de eleitor pela internet, em abril deste ano, quando o Cartório Eleitoral estava fechado, a doença também não vai ser motivo para ela deixar de votar pela primeira vez.

Mesmo tendo direito de não comparecer, a jovem não pretende abrir mão do seu direito. A vontade de participar da eleição é grande e, segundo ela, isso vem de berço. “Eu sempre estive nesse meio, indo a comícios, e é uma coisa coisa que eu gosto”, destacou.

Com o voto, Flávia acredita que é capaz de fazer diferença. No entanto, é um desafio conversar sobre isso com os amigos, pois, conforme conta, os jovens não estão muito interessados em política. “Isso é um grande problema, porque não há caminho para mudança se o jovem não se envolver”, argumentou.

O primeiro voto de Flávia vai ser consciente. A estudante está procurando se inteirar das propostas e conhecer os candidatos, para fazer uma escolha coerente com seus ideais e que a represente.

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