Candelária registra três casos de Aids em 2019

Número representa uma queda em relação aos últimos anos, quando a cidade chegou a apresentar sete casos em um ano

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Diagnóstico do vírus é feito de maneira simples, a partir do teste rápido. Foto: Fernando Cezar/JC

Conhecido como Dezembro Vermelho, desde 2016, este é o mês dedicado à prevenção, assistência, proteção e promoção dos direitos humanos das pessoas que vivem com o HIV, o vírus da Aids, que é responsável pela morte de mais de 10 mil pessoas por ano no país. A doença afeta mais de 900 mil pessoas no Brasil, sendo que 135 mil não sabem que possuem o vírus. Só no Rio Grande do Sul, mais de 28 mil casos são contabilizados.

Em Candelária, só neste ano, três novos casos foram diagnosticados com Aids. Quatro a menos dos sete registrados em 2017. No total, são mais de 90 pessoas em tratamento no município desde 2002. Segundo a coordenadora do setor de infecções sexualmente transmissíveis da secretaria de Saúde, Líria Reis, não há maior concentração em determinada região, idade, ou poder aquisitivo. No entanto, o número representa queda em relação aos anos anteriores. “Não há uma regularidade de casos. Para se ter uma ideia, atendemos casos que variam de menores de 20 anos até 80, por isso é necessário que se tenha cuidados em todas as faixas etárias”, destacou.

Apesar de serem poucos casos diagnosticados, a enfermeira ressalta que a procura pelos testes que diagnosticam o HIV é baixa. Neste ano, 1.076 exames foram feitos nos pontos de atendimento da secretaria de Saúde do município, que se divide entre o Hospital, o Pam Central, e as UBS dos bairros Rincão Comprido, Marilene e Ewaldo Prass.

A maior parte dos testes, 713, são feitos a partir da rede cegonha, que realiza o exame com as gestantes e seus companheiros. O restante, 363, foi feito de forma espontânea, o que representa menos de 1,5% da população candelariense. Testes também são realizado na rede privada, mas estes não são contabilizados.

De acordo com Líria, as pessoas deixam de procurar o teste a fatores como a crença de que estão imunes à doença. “Isso é uma ilusão. A doença existe e precisa ser prevenida”, disse.

A importância do diagnóstico precoce

O HIV é um vírus que ainda não tem cura. Quem o possui, não necessariamente tem Aids, uma vez que a segunda é uma consequência da primeira. Isto é, a Aids pode ser adquirida com a presença do HIV no corpo.

Por este motivo, é importante que se faça o teste rápido regularmente, principalmente se a pessoa tem uma vida sexual ativa. Isso porque quanto mais cedo o diagnóstico, melhor e mais rápido será o seu tratamento.

A Aids deteriora o sistema imunológico do hospedeiro, tornando-o fraco e sensível a outras doenças. O motivo é o frequente ataque às células de defesa, que começam a funcionar com menos eficiência até serem destruídas.

No entanto, pouquíssimas pessoas fazem o exame periodicamente e de forma espontânea, o que é um agravante e deixa o alerta ligado para a possível ocorrência do vírus. “É difícil conscientizar. A medicina evoluiu e há tratamentos, mas ainda não existe uma cura, então é preciso que haja um cuidado maior”, salientou.

A coordenadora ainda relembra que o assunto deve ser falado entre todas as pessoas para evitar a sua contaminação. “HIV e Aids são assuntos que devem ter sempre atenção. Pais devem falar com os filhos, educá-los sobre os perigos que as infecções sexualmente transmissíveis representam”, destacou. O exame que aponta o diagnóstico é rápido e indolor, e pode ser feito toda terça-feira nas UBSs do município.

Secretaria de Saúde promove ações de prevenção

A secretaria de Saúde de Candelária desenvolve ações durante o ano todo para que haja a conscientização e prevenção a respeito do HIV. São distribuídos preservativos gratuitamente nos postos de saúde – tanto masculinos, quanto femininos – e lubrificantes, além da realização de visitas domiciliares, entrega de folders e orientações junto aos grupos atendidos pelas equipes da pasta. Há uma preocupação da equipe em relação às infecções sexualmente transmissíveis.

Nas escolas, por meio do Programa Saúde nas Escolas, do Ministério da Saúde, são desenvolvidos diversos trabalhos com alunos de 6º ao 9º dos educandários do interior e também da cidade. São feitos cinco encontros que tratam sobre assuntos diversos, como bullyng, drogas, gravidez na adolescência, tipos de violência e sexualidade. Entre esses encontros, é feito um informativo sobre a prevenção e sintomas das infecções sexualmente transmissíveis. A ação é orientada pela terapeuta ocupacional do município, Lilian Rathke.

FIQUE LIGADO:

Como ocorre a transmissão da AIDS/HIV?
A transmissão do HIV e, por consequência, da Aids, acontece das seguintes formas:
>> Sexo vaginal sem camisinha.
>> Sexo anal sem camisinha.
>> Sexo oral sem camisinha.
>> Uso de seringa por mais de uma pessoa.
>> Transfusão de sangue contaminado.
>> Da mãe infectada para seu filho durante a gravidez, no parto e na amamentação.
>> Instrumentos que furam ou cortam não contaminados e não esterilizados.

Condutas que não transmitem a Aids:
Existem muitos mitos e tabus sobre a transmissão do HIV. Para esclarecer a população, o Ministério da Saúde orienta sobre o que é ou não verdade. Confira o que não transmite HIV:

>> Sexo, desde que se use corretamente a camisinha.
>> Masturbação a dois.
>> Beijo no rosto ou na boca.
>> Suor e lágrima.
>> Picada de inseto.
>> Aperto de mão ou abraço.
>> Sabonete/toalha/lençóis.
>> Talheres/copos.
>> Assento de ônibus.
>> Piscina.
>> Banheiro.
>> Doação de sangue.

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