Candelária, 95 anos: Na arquitetura, o retrato do passado

Inaugurado em 1910, o Hotel dos Viajantes ajuda a contar um pouco da história do município e do legado dos candelarienses

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Prédio do Hotel dos Viajantes foi erguido no início do século XX e preserva até hoje a mesma fachada. Foto: Fernando Cezar/JC

Quando se fala sobre a história de Candelária, uma das principais lembranças que vem à mente dos moradores e visitantes é referente às obras arquitetônicas, que ajudam a contar um pouco da saga dos seus moradores. Sejam pontos hoje históricos e também turísticos, como a Ponte do Império ou o Aqueduto, ou prédios que se tornaram marcos, como o do Clube Rio Branco – local onde foram feitas as primeiras reuniões políticas para a emancipação de Candelária – o fato é que a Terra do Botucaraí carrega consigo a imagem do passado, e o retrato do quão importante foram estes locais para que a cidade fosse estruturada e se desenvolvesse durante os seus 95 anos.

Um dos locais que fez e ainda faz parte da quase centenária história candelariense e, também, dos anos que antecederam a sua emancipação é o Hotel dos Viajantes. Com construção datada no início do século XX, o local tem preservado até hoje as características estruturais originais e é considerado importante alicerce da cidade ao abrigar, ao longo dos anos, personalidades históricas, como o ex-governador Antônio Augusto Borges de Medeiros e sua comitiva, além de empregados que vinham trabalhar no município e que, posteriormente, adquiriram terras e se estabilizaram na cidade.

IMPORTÂNCIA
O Hotel dos Viajantes foi um grande marco na história candelariense, porque fazia da cidade uma parada obrigatória para aqueles que faziam o percurso Porto Alegre-Arroio do Tigre, nos primeiros anos do século XX. Como um dos primeiros grandes prédios do município, o local foi palco de reuniões políticas que decidiram os passos para que a cidade chegasse como está na época atual, também foi marcado por ser um ponto de encontro da comunidade da cidade, com a do interior, e por possuir um dos primeiros restaurantes que utilizava os alimentos cultivados na própria propriedade, se tornando referência na região.

Outro marco da história do hotel para Candelária foi a instalação da primeira linha telefônica do município no local, que continha um único número de discagem (001). Além disso, foi o primeiro local a adquirir uma geladeira comercial e a possuir uma das primeiras televisões da cidade. Há relatos de que a população se aglomerava em frente ao estabelecimento para que pudesse assistir o que estava sendo transmitido à época.

Conforme o atual gestor do Hotel dos Viajantes, Iuri Prass, de 48 anos, que está há 30 à frente dos cuidados do estabelecimento, há um imenso orgulho dele e de sua família de poder ter contribuído com o crescimento do município durante as gerações. “Sou descendente de pessoas que sempre ajudaram para que a cidade se tornasse cada vez mais forte, por isso sempre tivemos a ideia de respeitar o aspecto histórico com a fachada original e também com a decoração de utensílios utilizados na época da colônia, pois é importante que isso seja lembrado nos tempos de hoje”, ressaltou.

Iuri Prass é quem administra o Hotel atualmente e quer manter o legado da família. Foto: Fernando Cezar/JC

Iuri ainda comentou que o estabelecimento foi de grande contribuição para a prosperidade candelariense. “Embora tenha passado por muita crises, jamais o Hotel cerrou as suas portas, e sempre garantiu, até hoje, emprego e renda para a população que se mudava para a cidade e precisava de um trabalho, por isso me orgulha muito de ter seguido o que meus familiares iniciaram e aprendido a gostar e ter uma paixão durante esses 30 anos que administro”, disse.

Hoje o local está bem diferente da época, foi expandido, não há mais o restaurante, possui um total de 22 quartos, todos com banheiro próprio, e sempre busca evoluir sem deixar de lado às circunstâncias históricas. “Muitos perguntam o motivo de eu não querer alterar a arquitetura ou a aparência interna. Mas como meus familiares que tiveram posse, prefiro ser pequeno, manter o legado e ser forte, do que ser grande e fraco”, finalizou Iuri.

HISTÓRIA

O Hotel dos Viajantes foi construído pelo imigrante dinamarquês Jacob Jensen e deixado como herança para seu filho Balduino Jensen e Jorge Albino Grehs, marido de Joana Jensen Grehs, também filha de Jacob, em 1910. A partir disso, passou a se chamar Hotel dos Viajantes de Balduino Jensen & Cia, conforme consta até hoje na fachada do prédio atual.

Em 1939, o local foi adquirido por Ewaldo Prass, sobrinho de Balduino. Prass viraria prefeito de Candelária entre os anos de 1959 a 1963, e ajudado, na época, a estabelecer a rodoviária junto ao prédio do hotel, como está até hoje. Ele deixou como herança o prédio para seu filho Cláudio, que por sua vez fez de sua esposa Claudete, administradora do negócio. Atualmente o Hotel dos Viajantes é administrado por Iuri Prass, neto de Ewaldo, sendo, desde a sua construção, um legado de família.

Hotel funciona desde 1910 e conta com importantes marcos históricos do município. Foto: Arquivo Pessoal

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